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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Thor 2: De Volta das Trevas

      Buenas, pessoal! Thor 2: Mundo Sombrio estreou adiantado aqui no Brasil, mas assisti somente no sábado e tenho boas notícias para quem estava indeciso em ir no cinema. A nova produção do universo Marvel é um baita filme de entretenimento, com efeitos especiais bons como poucas vezes eu já vi, além de render momentos impagavelmente engraçados. A única coisa que continua dispensável na história é a Jane Foster da Natalie Portman, mas até mesmo seu personagem ficou mais convincente na sequência. Vale a pena assistir, nem que seja só para rever o Loki ou descobrir duas cenas pós-créditos. Agora vamos ver um pouco mais sobre o novo filme:



CONTÉM SPOILERS

     O primeiro filme tinha que conseguir adaptar um personagem que misturava o mitológico com as histórias em quadrinhos numa época em que os super-heróis estavam mais realistas no cinema para cativar um publico maior. Se já não bastasse isso, Thor também deveria se alinhar com o arco de filmes que precedia os Vingadores (2012). Com as dificuldades de qualquer adaptação e a pressão de Vingadores, Thor (2011) conseguiu tornar a existência de “deuses” plausível no universo Marvel do cinema com algumas breves justificativas no filme e representar diversos cenários e personagens esteticamente complexos de uma forma inteligente, misturando mitologia e tecnologia, no entanto o exagero do romance meio sem justificativa entre Thor e Jane Foster acabou por ajudar a superficializar o personagem principal e parte de sua causa, deixando para Tom Hiddleston roubar a cena com a interpretação de Loki. A produção desagradou boa parte do publico e crítica, que acabou desbancando equivocadamente Kenneth Branagh da direção da sequência.


      Na mini-série de quadrinhos inspirada nos filmes, Dark World Prelude, temos a explicação dos eventos ocorridos entre o primeiro Thor e Vingadores. Algumas delas são que Thor consegue voltar para a Terra depois de ter destruído a ponte no seu filme por que Odin usa magia negra para transportá-lo, no entanto enquanto Asgard estava desliga dos outros reinos, eles ficaram vulneráveis sendo atacados por invasores. Com o retorno de Thor com Loki após os eventos dos Vingadores, o Tesseract é usado para restaurar a ponte e reconquistar os reinos aliados. O novo filme inicia neste ponto aproveitando para explorar uma pouco mais dos outros mundos da “árvore” Iggdrasil, mas sem mostrar como a ponte Bifröst foi reconstruída, centrando-se na vingança do elfo negro Malekith.


      Depois de protagonizar o vilão de dois filmes, Loki deixa o posto nas masmorras de Asgard para dar lugar a Malekith. Como todo bom antogonista, o elfo negro tem uma boa razão para se vingar do povo de Odin, no entanto mesmo o filme justificando o suficiente cada personagem, sentimos que não há um aprofundamento maior neles do que havia sido feito antes. O rancor e deslocamento de Malekith como senhor de uma raça perdida poderia ter seguido o exemplo de Zod em Homem de Aço (2013), mas a problematização dramática do enredo deu lugar a uma exploração exagerada do humor em situações que nem sempre eram realmente cômicas, o que também não comprometeu o filme e rendeu a impagável cena do Capitão América.


    A tão esperada parceria entre Loki e Thor corresponde as expectativas ao mesmo tempo que nos perguntamos se não estão só repetindo a formula anterior, mas o fato é que a relação entre os personagens nos quadrinhos também está sempre a ponto de virar uma grande amizade ou traição pela própria causa, como Xavier e Magneto. A briga dissimulada entre os dois personagens surpreende o espectador culminando numa suposta morte de Loki  que outra vez nos deixa indeciso sobre sua índole, pois ao mesmo tempo que parece gostar genuinamente de seu irmão, ele não pensa duas vezes em passar a perna para avançar em seus objetivos, mas como podemos deduzir, o filho bastardo de Odin age assim pela sua própria natureza como se já fosse um jogo, quando na verdade o objetivo final não o que ele realmente quer. O final misterioso em que Loki aparece se passando por Odin deixa aberta a possibilidade para a exploração de Loki como rei de Asgard e seus conflitos em tornar-se um agente da ordem ao invés do caos, como aconteceu na mini-série em quadrinhos Loki. A morte da mãe asgardiana é outro grande momento da história em que nos surpreendemos com sua habilidade de luta e nos encantamos com o funeral típico dos Vikings.

    Além da fotografia espetacular, a construção computadorizada dos outros mundos em Thor 2 é impecável, mas é durante a batalha final que temos a consagração de Alan Taylor na direção. Numa cena em que temos um fluxo rápido entre vários cenários e sua conexão é incrível como o filme não se perde em momento nenhum e mesmo com aquele final quase clichê dos filmes americanos em que o vilão morre pela sua própria criação, temos um bom filme para assistir no fim de semana e discutir a cenas pós-créditos depois.


     A cena pós-crédito de Vingadores em 2012 deixou todos certos de que o titã Thanos seria o vilão da sequência do maior blockbuster da Marvel, mas assim que saiu o teaser de Vingadores: A Era de Ultron todos se perguntaram para onde aquela ideia tinha ido. Curiosamente temos outra referência a Thanos na primeira cena pós-crédito de Thor 2, em que as gemas do infinito são citadas, ao invés de termos alguma notícia de Ultron. O diretor Joss Whedon explicou que o Thanos nunca foi o vilão planejado para a sequência, mas sua presença na história continuará a ser citada ao longo dos filmes para um “grand finale”, pois ele não é o tipo do personagem que se vence com pancadaria, afinal ele é um titã. A segunda cena pós-crédito de Thor retornando para ver (ou viver) como Jane Foster é tão previsível que não precisava ter sido feita, mas convenhamos que ninguém cansa de ver sequências do universos Marvel, seja antes ou depois dos créditos.

Felipe Essy

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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O Mundo em Quadrinhos

       Buenas, pessoal! Muitos dos super-heróis mais conhecidos hoje em dia tem sua origem em momentos conhecidos da história, desde a famosa capa do Capitão América sentando o sarrafo em Hitler até o sequestrado original de Tony Stark por vietnamitas comunistas, mas existe muito mais do nosso mundo nas histórias em quadrinhos além disso e esse é o tema de hoje.


      Nesses anos em que venho lendo quadrinhos eu pude perceber quanta profundidade essas histórias podem ter e algo que eu acho muito legal é que algumas conseguem representar problemas de diferentes momentos da nossa realidade ficcionalmente de uma forma criativa. Recentemente foi lançada a mini-série Noir, da Marvel, inspirada no gênero que explorava o Estados Unidos cheio de glamour, sangue e romantismo da década de 20 que é transposta para os quadrinhos numa releitura da origem de alguns super-heróis.


        O expressionismo alemão adentrou a arte cinematográfica explorando o contraste de tons escuros na fotografia das películas e a América no seu auge da ostentação da elite antes da crise de 29 com o romantismo às avessas dos gangesters que cresceram no contrabando de bebidas em plena lei seca foi tudo que preciosou para criar vários ícones do cinema em preto e branco. Nesse contexto exato podemos conferir Homem-Aranha Noir, em que Peter Parker cresce instigado pelos discursos inflamados de reindivicação de sua tia contra Duende Verde e sua mafia de ex-aberrações de circo de horrores, provavelmente em referência ao filme Monstros (1932).


        Outro personagem das HQs que reflete um lado sombrio do pensamento americano é o seu maior simbolo de cueca por cima das calças e tudo: Superman é a representação ideal do país exageradamente apaixonado por si mesmo que não respeita as próprias fronteiras e adora monopolizar o mundo ao seu favor. Na série Entre a Foice e o Martelo (Red Son) conhecemos um homem de aço soviético que não apenas desbanca o gigante americano na guerra fria, mas também enfrenta as consequências da sua supremacia sem limites.

    Na primeira série de quadrinhos solo de Wolverine em 1982, podemos perceber o momento de reaproximação do mundo americanizado com a cultura ocidental, assim como na música e cinema, mas dessa vez o marrento canadense viu que mesmo nos aspectos mais desiguais do tradicionalismo do clã Yashida na havia coisas que o descaso sarcástico do homem de adamantium não poderia simplesmente resolver rasgando todo mundo.


    Ao mesmo tempo que a musica pop oitentista parecia querer se livrar da ressaca revolucionária da década anterior, Allan Moore explorou a desilusão da utopias através daqueles que haviam vestidos fantasias em Watchmen para defender o mundo, mas não percebiam que o inimigo era ele mesmo, e aquele que marcou seu V de Vingança em 5 de Novembro inspirando a indignação do Brasil que cansou de usar o nariz de palhaço.


    Se há personagens inspiradores, também a quadrinhos inspirados em seus leitores. Mark Millar constrói uma representação honesta dos jovens que curtem super-heróis em Kick-Ass com toda violência e sexo sem censura que qualquer adolescente está acostumado a ver. Kick-Ass poderia refletir uma sociedade que está tão exposta a estímulos que precisa cada vez mais de extremos para ser atingida, mas essa teoria pode se desfazer na sensibilidade de Laços, em que temos a origem dos personagens de Maurício de Souza recontada numa história cativante inspirada em filmes de aventura dos anos 80 como Goonies e Conta Comigo, fazendo nos lembrar da beleza que coisas tão básicas e simples como uma boa história pode ter, seja em quadrinhos ou não.

Felipe Essy


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Kick-Ass 2: Quebrando a Fórmula

Buenas, pessoal! Kick-Ass e Hit-Girl finalmente retornam ao cinema na sequência do primeiro filme que sob uma nova direção foi cuidadosa com os personagens e enredo da trama, mas limitou-se a não sair da formula que consagrou o primeiro filme. Não espere outro Bastardos Inglórios de super-heróis, mas o filme vale o ingresso e o post de hoje fala sobre ele.


      O primeiro Kick-Ass, lançado em 2010, mesclou o imaginário de qualquer apreciador de super-heróis com a violência cômica de Tarantino, resultando num filme empolgante e ousado que agradou público e crítica ansiosos por uma sequência. Embora a história escrita por Mark Millar tenha tido muitas alterações importantes em relação ao enredo original, o primeiro filme conseguiu transmitir perfeitamente o espírito dos quadrinhos e motivou Millar ainda mais a concluir a trilogia que havia imaginado. O segundo filme adapta os dois quadrinhos que deram sequência a primeira história, Kick-Ass 2 (2010) e Hit-Girl (2012) e deu preferência ao amadurecimento dos personagens do que a uma grande trama, mantendo o clima leve e dinâmico do anterior, o que também custou a falta de uma aprofundamento mais sério que ocorre gradativamente nos quadrinhos.



      O filme inicialmente foca na dificuldade de Mindy tentado viver entre adolescentes comuns sem seu uniforme de Hit-Girl sob a tutela do policial Marcus, ex-parceiro de seu pai. A obediência exagerada em relação a não vestir seu uniforme novamente parece contraditória tendo em vista a personagem de personalidade forte que conhecemos no filme anterior, mas nos quadrinhos isso é justificado por um motivo melhor que a simples consideração ao pai postiço: originalmente a mãe de Mindy não foi assassinada e quando ela volta a morar com ela, Mindy reluta em voltar às ruas como Hit-Girl temendo pela segurança de sua mãe e não apenas pelo simples fato de Marcus pedir. Ao mesmo tempo assistimos a personagem de Chloë Moretz inserida no clichê feminino dos colégios americanos, com direito a "abelha rainha" lider de torcida e tudo, o que até compensa  num primeiro momento quanto temos a cena de dança misturada com golpes de luta, mas ao invés de Mindy parecer um personagem oposta a caricatura colegial ao seu redor, ela acaba sendo parte dele, deixando a personagem um pouco superficial ao invés de torná-la mais sensível.


      Isso aconteceu por que o diretor Jeff Wadlow não ousou mudar a formula usada por Matthew Vaughn, que deixou o comando do filme para apenas produzí-lo. Ao explorar a intimidade de uma personagem tão forte quanto Hit-Girl, a violência bem humorada do primeiro filme que permitiu atingir um grande publico estaria ofuscada por temas mais sérios. Ignorando que o público de Kick-Ass cresceu tanto quanto os atores do filme desde seu lançamento em 2010, Jeff Wadlow foi fiel aos quadrinhos para não errar, mas não deu o passo adiante que a trama pedia. Por outro lado, o personagem que desde a adaptação de Matthew Vaughn foi notavelmente diferente de sua versão original mostrou-se tão justificável quanto antes e muito mais interessante: Cada vez mais envolvido pelos conflitos que o tornou Red Mist, Chris decide se vingar de Kick-Ass e o resto do mundo como o vilão Motherfucker. O personagem interpretado Christopher Mintz-Plasse é digno de protagonizar novamente o filme como o antagonista principal, pois é talvez o personagem com melhor desenvolvimento em relação as duas produções, no entanto mais uma vez a falta de ousadia do novo diretor deixa de permitir que Chris seja mais cruel sob o uniforme de Motherfucker.


       A tão esperada participação de Jim Carrey com Coronel Listras e Estrelas realizou basicamente seu papel no enredo original, mas sua importância para seus companheiros do grupo Justiça Eterna pareceu ser esquecida no roteiro, quando na verdade ele é uma figura muito mais emblemática do que ativa, como Big Daddy. Quem eu não esperava me fazer vibrar foi justamente a personagem mais marcante do filme: o estilo durão de Mother Russia faz uma oposição perfeita a Hit-Girl e rende uma das melhores cenas do filme quando ela simplesmente avança contra um comboio policial, no entanto o confronto entre Mother Russia e Hit-Girl se revela muito menos violento do que deveria ter sido, afinal a mulher era quase o Colossus! E não é por acaso, pois ela foi interpretada pela fisiculturista Olga Kurkulina.


       Enquanto o desenvolvimento de Hit-Girl deixou a desejar, Kick-Ass cresce como super-herói durante todo o filme, deixando o jeito desengonçado de brigar para trás para enfrentar seus inimigos como homem, ao mesmo tempo que torna-se o grande parceiro de Mindy, mas definitivamente vestir a roupa de Big Daddy foi totalmente desnecessário. Aprimorar o uniforme de Kick-Ass teria sido bem melhor, o que de fato é sugerido na cena final.

       Kick Ass 2 pode não ter superado todas expectativas, mas o filme funciona e cumpre bem a sua proposta. Praticamente todos elementos que tornaram a produção anterior um sucesso estão lá: Violência cômica, referências pop e uma trilha que mescla temas heroicos com rock de garagem (incluindo uma regravaçãode a "A Minha Menina" dos Mutantes feita por uma banda britânica), mas a formula antiga não permitiu que as novas informações da sequência se desenvolvessem todo seu potencial. O filme não teve um bom desempenho nas bilheterias americanas e estreou em pouquíssimas salas no Brasil, arrecadando metade do lucro do primeiro filme o que indica a baixa probabilidade de vermos um terceiro filme da série, mas os quadrinhos de Mark Millar de Kick-Ass 3 estão a pleno vapor e prometem concluir a história. Para quem vai assistir o filem, vale avisar que há uma breve cena pós-créditos. Um abraço!

Felipe Essy

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O que Aconteceu com a DC?

        Buenas, pessoal! Nunca se imaginou que super-heróis de histórias em quadrinhos seriam tão populares como hoje, mas enquanto a Marvel cresce cada vez mais, sua principal arqui-inimiga continua a andar na beira do precipício não sabendo se voa ou se atira.Pensando nisso, o post de hoje fala como a DC se perdeu nesse novo movimento e o que podemos esperar dela daqui por diante.


         O modo de fazer cinema mudou. Filmes, não são mais feitos para vender ingressos, mas para estampar copos, mochilas escolares e nomear promoções de salgadinho, mas o que era uma coisa voltada para um publico infantil, hoje se tornou algo muito mais abrangente graças a enorme popularidade dos super-heróis de histórias em quadrinhos que levam desde crianças de cabelo cogumelo até marmanjos de camiseta de banda aos cinemas, não raro gastando mais de quinze reais em combos de pipoca e bebidas para levar a cara de seu personagem favorito para casa impressa num balde de papel, provavelmente da editora que domina o mercado dos super-heróis: A Marvel.

       Conhecida como a "casa das ideias", a Marvel sempre se destacou desde quando se voltava apenas para seus quadrinhos e desenhos animados, mas até aí a principal concorrente, a Detective Comics não ficava muito atrás, muito pelo contrário: A DC foi a líder em adaptação de histórias em quadrinhos desde o estrondoso sucesso de Superman de Christopher Reeves em 1978, lançando um filme de dois em dois anos, incluindo os famosos Batman de Tim Burton. Já a Marvel continuou na sua até que resultado positivo de Blade (1998) deu margem para que X-Men fosse adaptada por Bryan Singer em 2000 mudando a forma de fazer filmes de super-heróis e inaugurando um movimento cinematográfico que se estende até hoje: Trocando a cor berrante do uniforme comum de todo super-herói para a discrição mais moderna dos trajes pretos, o filme utilizou personagens infantis para construir uma história moderadamente madura que interessou adolescentes mais velhos ao mesmo tempo que continuou a cativar as crianças, sendo a formula comercial perfeita para renovar o cinema e abrir um campo novo para as futuras produções explorarem. Foi nesse momento que a DC perdeu seu lugar a Marvel expandiu-se numa explosão, tornando-se muito mais que uma editora de histórias em quadrinhos, mas uma verdadeira empresa. Para quem lembra da DC antes de X-Men, parece estanho uma editora com personagens tão amados durante uma época ter ficado para trás desse jeito, mas se virmos a filmografia da editora podemos compreender melhor como isso aconteceu.


       Dois anos depois de X-Men, a Marvel já começava a produzir dois filmes por ano mesmo antes da sequência de seu primeiro sucesso e cada vez mais personagens da editora passaram a dividir o ano nas estreias, porém o mesmo não aconteceu com a DC: Sem nenhuma produção desde o indiferente Batman & Robin de 1997, a editora resolveu se arriscar com o fracassado Mulher Gato (2004) de Halle Berry que intimidou a empresa a investir além de um filme por ano como a concorrente que já dava início a terceira sequência de um de seus filmes quando Batman Begins salvou o futuro cinematográfico da editora em 2005. De alguma forma, a DC não soube adaptar seus personagens com a mesma maturidade que a sua concorrente, caindo no caricato sempre que tentava fazer algo mais popular entre o publico mais jovem e, percebendo que produções mais adultas como The Dark Knight e Watchmen estavam sendo seu único acerto, decidiu abraçar de vez a ideia com Homem de Aço, feito para o publico que não comprava copos, mas lia os quadrinhos e já estava cansado de Vingadores.

        Aparentemente a DC percebeu que não pode ser a Marvel e vai tentar trilhar outro caminho para sobreviver na era de adaptações, no entanto está claro que falta à DC algo que é essencial para uma empresa artística crescer e principalmente se desenvolver: Saber lidar com seu publico, e quando digo publico, quero dizer clientes, por que hoje em dia tanto uma quanto a outra são muito mais que editoras, são empresas bilionárias. Enquanto a Marvel parece fazer de tudo para agradar os fãs, a DC se distancia cada vez mais, chegando até mesmo a fechar sessões de resposta aos leitores por não saber lidar com as especulações mais ácidas dos fãs. Sem comunicação, não há diálogo e não tem como vender um produto se você não conhece,  ou pior, não aceita seu publico. Sendo assim, o futuro da DC estará constantemente comprometido enquanto ela continuar com medo de ousar, mas principalmente com o medo de admitir seus erros. Somente quando a DC enfrentar o medo, ela poderá usar seus anéis de lanterna verde e parar de se esconder atrás de uma máscara de morcego.

Felipe Essy

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Os 10 Sonhos Nerd de Consumo

         Buenas, pessoal! Eu passei minha infância fascinado com os aparatos que roubavam a cena em alguns filmes, imaginando se aquilo podia mesmo existir. Lembrando disso, resolvi fazer esse post sobre tecnologias da ficção com que ainda são o sonho de consumo de muita gente:


SKATE PLANADOR


        Quem não imaginava em como deveria ser legal usar o skate do Marty McFly quando via De Volta Para o Futuro, que atire a primeira pedra. O "brinquedo" é tão popular que até hoje, quase trinta anos depois, ainda tem muita gente tentando fabricá-lo usando de toda engenhosidade que se possa imaginar, mas nenhum tão bom como o original. Quem sabe um dia?


SABRES DE LUZ


       Eu já gastei vários devaneios pensando em como fazer um, mas sinceramente ainda não descobri. Desde sua aparição nos filmes de Star Wars, a arma Jedi (ou não) é o sonho de consumo de todo nerd que se preze. Como não babar por aquilo? Até o Aragorn trocava a Andúril por um.


TABULEIRO JUMANJI


      Eu passei minha infância toda querendo jogar esse jogo e transformar minha casa numa selva com jacarés e tudo. Mesmo sendo meio assustador, não tinha como alguém não ficar com vontade de revirar a casa para ver se não achava um jogo antigo que trouxesse situações tão absurdas quanto aquelas, mas acho que meus pais agradecem o fato de não ter macacos endiabrados pela casa.


MEDIDOR DE KI


     Não tem nenhuma utilidade no mundo real, mas quem pensa nisso quando assiste anime? Eu sempre quis ter aquele óculo digital (?) dos Saiyajins do Dragon Ball. Afinal saber o Ki de seus inimigos é sempre útil, principalmente antes comprar briga com um kakaroto com mais de 10 mil.


BATMÓVEL


      É mais estético que funcional e meio extravagante, mas eu jamais esqueci o batmóvel (que nome horrível) do Batman de Tim Burton. Eu nem me lembro bem o que tinha nesse carro, mas quem não sonhou com aquele escapamento de foguete que destruía a camada de ozônio não teve infância. Tudo bem, pode ser só nostalgia, mas que o batmóvel de 89 é muito mais legal que o bugue militar da nova trilogia, isso nem se discute.


PROPULSOR A JATO


      Ninguém sabe explicar porque o Boba Fett de Star Wars rouba a cena sempre que aparece sem precisar dizer nada, mas com certeza um dos motivos é o seu propulsor a jato. O equipamento já parecia um pouco ultrapassado no próprio filme, mas não tinha como negar o estilo que a mochila propulsora dava ao personagem. Mesmo já existindo, só alcança o mesmo desempenho com o capacete.


GRAMPPLING GUN


     Eu não sei se essa pistola tem um nome em português, mas a arma lança-gancho já foi usada em vários filmes, inclusive pelo Batman, mas um dos usos mais bacanas e icônicos foi por Rorschach em Watchmen, afinal, elevador é para novato.


NEUTRALIZADOR



     Não que eu queria uma coisa dessas por aí, mas poucos artefatos usados pelos Homens de Preto eram tão legais, se bem que hoje em dia tem muita gente que não precisa do neutralizador para esquecer o passado e não tem MIB para resolver esse problema.


PALANTÍR


     Hoje temos Skype, mas que é muito mais bacana usar a esfera negra de Saruman ninguém discorda. No Senhor dos Anéis, as palantíri são apenas comunicadores, mas tem um visual tão legal que trocaria meu celular por uma se não fosse tão pesado para levar no bolso. É, acho melhor deixar para o Saruman mesmo.


PENSEIRA


       Mesmo eu não conhecendo muito de Harry Potter,os itens das histórias de Hogwarts com certeza foram os que me deixaram mais indeciso para adicionar na lista, afinal como escolher só um deles? Acabei optando pela penseira, pois não há nada mais legal que guardar suas lembranças ao estilo Dumbledore.


       Bem, pessoal. Espero que vocês tenham gostado da lista. Muita coisa ficou de fora, então sinta-se à vontade para incluir outros itens nos comentários. Aquele abraço!

Felipe Essy

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Wolverine Na Terra do Sol Nascente

           Assistindo o trailer de Wolverine: Imortal, eu confesso que não fiquei com muita vontade de ver o filme, mas resolvi olhar e acabei surpreendido. O sexto filme da saga dos mutantes explora a vida de Logan fora dos X-Men, mas sem voltar ao tema batido do seu passado. É uma boa aventura solo do personagem começando com uma briga num bar americano de fim de mundo, como de costume. O novo filme explora a parte da história do anti-herói que se passa no Japão, muito importante nos quadrinhos, sem retratar o país como uma Disneyland oriental. Através desse novo contexto Wolverine se depara com a forte filosofia dos samurais que acrescentam um ingrediente interessante ao filme que, por incrível que pareça, conseguiu trazer de volta a dignidade do personagem à franquia e fazer um pequeno gancho para o novo filme dos X-Men, Dias de Um Futuro Esquecido. Vale a pena assistir, mas não espere ver uma adaptação fiel da série de Claremont e Frank Miller de 82.


       Se você já assistiu ou não se importa de saber revelações do enredo, confira a minha opinião sobre o filme e entenda melhor algumas pontas soltas:

S p o i l e r s     a d i a n t e !


       Apesar de Wolverine ter sido feito dez anos depois dos X-Mens originais, ele roubou a cena tanto nos quadrinhos quanto nos filme e desde o início ele não foi o típico protagonista, muito pelo contrário: sua primeira aparição nos quadrinhos foi como um vilão e isso revela a essência anti-herói do personagem que foi definida como conhecemos um tempo depois por Frank Miller na primeira frase da HQ que inspirou o novo filme " Eu sou o melhor no que faço, mas o que eu faço não é muito legal".


      Na série de quadrinhos de 1982, Frank Miller definiu a personalidade bruta e vingativa de personagem, mas apesar da interpretação visceral de Hugh Jackman, o Wolverine dos cinemas nunca foi sombrio o suficiente para construir a mesma imagem que tinha nos quadrinhos, mas acredito que essa nunca foi a intenção dos estúdios, já que fazer filmes com restrição de público definitivamente não banca Hollywood. Originalmente, a personalidade rústica e violenta de Logan era a principal causa de ele estar frequentemente envolvido em brigas e vinganças, sendo esse um dos motivos do seu distanciamento da vida comum e dos outros X-Men, mas o lado negro de Wolverine acaba aparecendo nas telas apenas como um mau humor que funciona muito mais como uma pose de mau do que qualquer outra coisa. Com todos os contras, Hugh Jackman encarna o personagem com tanta convicção que é impossível não acreditar em Wolverine e somos convencidos de que os roteiristas deveriam dar a mesma profundidade ao personagem que Jackman.

     A primeira cena de Wolverine é talvez a melhor de todas: Assistimos a dramaticidade dos últimos momentos dos soldados japoneses aguardando o ataque fatal da bomba atômica e percebemos que uma câmara no chão aprisiona um perigo indomável, Wolverine. A tensão gerada por essa introdução é incrível e poderia ter sido mantida ao longo do filme, mas infelizmente isso não aconteceu. Mesmo a fotografia não sendo um dos elementos mais explorados nas adaptações dirigidas por Bryan Singer quanto outras do gênero, o inexpressivo novo diretor James Mangold perdeu uma grande oportunidade de utilizar os recursos visuais vistos na famosa série de Claremont que transmitiu a perspectiva sombria com que Logan enxergava a vida ao seu redor, mas como eu disse, a cena inicial é realmente surpreendente, nos mostrando Wolverine aguentando uma explosão nuclear para salvar o soldado Yashida, peça central da trama do filme e tema do próximo parágrafo.


       No filme, Haruhiko é o líder do poderosos clã Yashida e pede o seu salvador do ataque nuclear, Wolverine, que o visite no seu leito de morte. Atendendo ao chamado, Logan sente-se atraído pela neta do patriarca, Mariko, no entanto o pai da moça e herdeiro do legado Yashida não disfarça nem um pouco a hostilidade contra o mutante ocidental. Se você ler os quadrinhos, talvez você fique um pouco confuso, por que o líder do clã originalmente é o pai de Mariko e não o seu avô. Isso acontece por que o personagem que é salvo por Logan na verdade não existe na história escrita por Frank Miller, pelo menos eu não achei qualquer vestígio da existência dele nos quadrinhos, ao que indica que o patriarca veterano de guerra foi uma ferramenta criada pela produção do filme para trabalhar melhor a temporalidade, no entanto isso acabou prejudicando um dos personagens principais na trama, o pai do romance nipônico de Logan, o Shingen Yashida. Nos quadrinhos, o personagem é o verdadeiro líder do clã Yashida e mostra-se páreo para derrotar Logan - fazendo-o de fato quando Wolverine ainda se encontrava sob o efeito de algumas substâncias, porém Shingen não representa nada além de um obstáculo no filme, sendo facilmente derrotado por Wolverine e essa trama de família é o motivo de uma grande confusão.

     No início fica claro que o patriarca Haruhiko Yashida tem más intenções quanto a Logan, afinal aquele papo de oferecer a morte ao mutante em retribuição pelo salvamento do passado definitivamente não convence quando quem fala está com o pé na cova e provavelmente bem interessado na imortalidade, mas esse não é o problema principal do roteiro: Após a morte de Haruriko, uma série de eventos sem explicação começam a acontecer, com direito a máfia Yakuza e tudo, mas ao invés de criar um ambiente de tensão oferecendo pistas do que está acontecendo, o filme apresenta cada vez mais e mais informações que não fazem o menor sentido até que alguma coisa é explicada na última cena do filme, deixando uma série de buracos que a maioria das pessoas não entendeu. Vamos a algumas delas:



    Quando Wolverine chega à casa de Yashida, nós vemos apenas homens armados como típicos ocidentais e em momento nenhum ligamos o clã Yashida aos ninjas, oque torna impossível para uma pessoa comum entender que no final do filme aquele ninja apaixonado por Mariko e seu bando estavam ajudando Yashida por que eram servos de sua família. Esse mesmo personagem aliás, é o Samurai de Prata, um grande adversário de Logan nos quadrinhos que acabou como um mero coadjuvante no filme. Outra coisa que não deu muito certo foi "dividir" o personagem do líder dos Yashida em dois, ou seja, no pai e no avô, e deturpar totalmente a imagem do líder do clã que confronta Wolverine com suas ideias de honra milenar, quando na verdade ele está almejando um poder por meios que tiram o seu direito de líderar o clã, mas essa dubiedade do personagem se perde com a parte boa e ruim sendo separadas, tornando ambas motivações fracas demias para que nós consideremos o lado negro da trama. Ao invés de separar os ninjas Yashida dos bandidos da Yakusa comandados pelo pai de Mariko, teria sido muito mais interessante que as duas forças fossem controladas pelo mesmo personagem, como ocorre na HQ, sendo a quebra dos princípios de honra que guiam o clã Yashida a justificativa para a execução do líder e não por que a família toda enlouqueceu e resolveu se matar de katana.


      Além das sequências de ação que merecem meu respeito, a atuação de Tao Okamoto é o que provavelmente salvou a personagem de Mariko de ser mais um amor que não convenceu, como a Jane Foster de Natalie Portman em Thor. Okamoto conseguiu fazer a difícil representação de uma mulher que respeita a tradição japonesa não por passividade, mas por aquelas ideias serem parte dos seus próprios valores. O mesmo não se pode dizer da outra personagem nipônica da trama, Yukio. Nos quadrinhos, Wolverine e Yukio se envolvem durante o resgate de Mariko pela semelhança de pensamento assassino que ambos possuem e no início do filme nós acreditamos durante um bom tempo que Yukio irá ajudar na exploração do lado mais sombrio de Logan, no entanto assim que ela vira boazinha e vira guarda-costas do Wolverine a essência da personagem se perde e sua presença passa a ser descartável na história - principalmente naquele final absurdo. Quando eu percebi que aquela armadura não era do final do filme não era do Samurai de Prata, eu confesso que fiquei bem decepcionado por que era um personagem que eu esperei o filme todo para ver. Nem vou falar da Víbora por que não é para sentar o sarrafo que eu fiz esse post.

      Apesar de tudo que eu reclamei aí em cima, eu gostei muito do filme. Sim, muita coisa deixou a desejar, mas definitivamente esse filme me cativou mais do que o Wolverine de X-Men Origens. James Mangold conseguiu introduzir o elemento oriental que é muito importante na história do personagem nos quadrinhos sem transformar o Japão num evento de Cossplay e nem ignorar as peculiaridades culturais. Poderia ter sido melhor? Claro que sim, mas Wolverine: Imortal cumpriu seu objetivo principal que era abranger as possibilidades de exploração do personagem com novos elementos e eu considero isso um bom resultado.



     A cena pós-créditos deu um bom gancho para o próximo filme da franquia mostrando o anúncio das indústrias Trask sobre tecnologias de proteção à espécie humana no monitor do aeroporto onde Logan encontra Magneto e Xavier. A Trask é a responsável pela criação dos sentinelas feitos para exterminar os mutantes e esse é o tema da nova trama em Dias de Um Futuro Esquecido, inspirado no quadrinho do mesmo nome e com estréia marcada para 18 de Julho do ano que vem, mas isso já é assunto para outro post. Um abraço!

Felipe Essy

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Laços em Quadrinhos

      Buenas pessoal! Embora sejam histórias infantis, diferentemente das revistas mais procuradas pelos fãs do gênero, a Turma da Mônica foi a primeira produção em quadrinhos nacional a se popularizar no Brasil e é inegável que Maurício de Souza abriu portas para muita gente. Quando eu era pequeno meus tios sempre me compravam gibis e mesmo não lendo muito a Turma da Mônica eu sempre gostei das histórias do Maurício, por que mesmo sendo para crianças, de alguma forma eu me identificava com aqueles personagens que falavam do lugar que eu conhecia. Isso já faz muito tempo e desde então Maurício tentou realizar novas propostas com seus personagens dentro do cenário de produção em quadrinhos que foi se abrindo com o tempo e é sobre a mais nova delas que eu vou falar hoje, Laços:


CURIOSIDADE: O termo brasileiro "Gibi" surgiu em 1939 como título de uma revista publicada pelo Grupo Globo e acabou virando sinônimo de história em quadrinhos no Brasil. Normalmente a palavra é usada para HQs infantis, sendo as de enredos mais adultos e complexos chamadas de "Graphic Novel" pelos fãs do gênero.
     A nova proposta de Maurício foi justamente dar a outra pessoa o controle sobre seus personagens. Em 2009, foi organizado um concurso de pequenas produções inspiradas na Turma da Mônica para comemorar os 50 anos da carreira de Maurício de Souza e o trabalho dos irmãos Cafaggi chamou a atenção de Maurício, que os convidou para desenvolverem um história em quadrinhos que recontasse a origem da Turma da Mônica sob uma nova perspectiva. O resultado foi uma revista maravilhosa inspirada nos filmes infantis de companheirismo e aventura dos anos 80  com Conta Comigo e Goonies numa arte que lembra a aquarela e quadrinhos dos anos 60.


      A nova representação dos personagens convence e nos cativa logo de início. Uma menina gordinha e enfesada de vestido vermelho, uma magricela esganada, um menino que foge do banho e seu fiel companheilo, perfeitamente plausíveis num Brasil onde as crianças ainda brincavam de peão e colecionavam tampinhas de refri. Laços conta como cebolinha sai a procura de seu cachorro floquinho (aquele verde que a gente nunca sabe onde está a cabeça) que desapareceu misteriosamente, descobrindo no apoio de seus amigos durante a aventura o valor dos laços que nos envolvem um aos outros no maior clima daqueles filmes de Sessão da Tarde. Uma história divertida que mistura a nostalgia da nossa própria infância com a desses personagens, resultando numa inevitável história boa para habitar qualquer estante.

      Como é de se esperar, as quatro crianças do bairro do Limoeiro não são os únicos personagens a serem reprisados nessa nova adaptação de suas histórias e é curioso percebermos como os personagens se tornaram mais possíveis na nossa realidade, deixando na cabeça de todos que leram se o quadrinho não poderia virar um baita de um filme, mas definitivamente eu prefiro não correr o risco de ver alguém estragar essa história incrível.


        Eu fiquei sabendo desse quadrinho num podcast do Matando Robôs Gigantes (escute aqui) e eles falaram tão bem dessa revista que eu não pude deixar de conferir por mim mesmo. Já deu para ver que eu não me arrependi nem um pouco e aconselho você a fazer o mesmo, afinal não é a toa que essa semana Laços ficou entre os mais vendidos da Livraria Cultura. Confira você mesmo e envolva-se também. Um abraço!

Felipe Essy

domingo, 21 de julho de 2013

A Nova Capa do Homem de Aço

      Desde X-Men em 2000, nós estamos acostumados com um certo padrão nos filmes de super-heróis, com algumas exceções como Watchmen e Batman, mas não é por acaso, pois ambos são da DC Comics que já foi reconhecida no passado pelas adaptações mais lúdicas de seus personagens para o grande publico, mas hoje finalmente reconheceu que sua nova fase nos cinemas não pode repetir a velha fórmula, aprimorada e dominada pela Marvel, e sim ousar em um bom filme feito para contar uma história e não para apenas entreter as pessoas no cinema. Assim, Homem de Aço definitivamente abriu as portas apontadas pela trilogia Batman de um novo caminho a ser explorado nos filmes de super-heróis.


    Não vá ao cinema esperando ver um blockbuster sobre um super-herói, por que você vai sair decepcionado. Não é um filme sobre o personagem principal, mas sobre a mitologia que o envolve e muito mais do que um fã de quadrinhos poderia ter esperado de um filme hollywoodiano. A produção é impecável nos efeitos e figurino, embora a fotografia não chame a atenção e mesmo assim o que mais impressiona é o roteiro, a história que está sendo contada e como ela se constrói aos poucos através das interações entre os personagens. 

     O novo filme do Superman, dirigido por Zack Snyder, soube aproveitar elementos que deram certo na produção de homenagem de Superman: O Retorno (2006) e os caminhos abertos por e Watchmen, explorando de uma forma que finalmente consiguiu tornar o alien Superman em um homem de aço.

O texto completo sobre o Homem de Aço a seguir contém Spoilers,
mas se você não se importa então confira:


      Assim como todas as histórias do Superman que contam suas origens, o filme começa mostrando Krypton onde seu pai Jor-El descobre a iminente destruição de seu planeta por fatores naturais e envia seu filho para a Terra. Eu soube que Russell Crowe interpretaria Jor-El pouco antes de assistir o filme e não consegui conceber a ideia de como ele poderia fazer esse papel, tão diferente de seus anteriores, no entanto assistindo o filme me surpreendi reconhecendo que Russell não tentou re-interpretar o pai filosófico e distante de Marlon Brando de 1978, mas um homem de opinião forte o suficiente para inspirar aqueles que estão em dúvida sobre si mesmos.

    Muitas pessoas devem ter se surpreendido com o quanto a história se passa no espaço mostrando sem pressa os últimos momentos de Krypton e os acontecimentos que ocasionaram no conflito entre Superman e Zod, mas creio que esse foi o grande mérito do filme, mesmo eu não gostando de histórias futuristas. Tanto nos quadrinhos quanto nos filmes, Kryton sempre foi fascinante e nunca completamente explorada, focando sempre em como Clark Kent vestia seu traje extravagante para salvar a humanidade, no entanto o novo filme de Zack Snyder é muito maior do que isso, mostrando o que realmente levou Jor-El a enviar seu único filho ao espaço e depositar nele tanta esperança como se fosse a ultima chance de seu povo, construindo assim uma significação muito maior do que o personagem representa.


     Com a destruição de Krypton, esperamos que a nave caia no meio de uma plantação e Jonathan e Martha Kent encontrem o garoto de aço, mas nos deparamos com um homem de barba desleixada que pula de um emprego para o outro existindo a margem da vida humana como um prisioneiro de sua condição sobre-humana, incapaz de construir uma vida normal como seus ex-colegas, vizinhos e antigos amigos. Esse é o Clark Kent do roteirista David Goyer, que pela primeira vez nos cinemas encarna uma personalidade humana, constantemente em conflito com o que os seus princípios morais o obrigam a fazer com seus poderes e de tudo que abre mão para segui-los.

      O Superman de Christopher Reeve era carismático e divertido, mas raramente duvidava de seus princípios e qualquer conflito existencial parecia ser facilmente superado com a salvação do mundo, o que distanciava o personagem de qualquer reação legitimamente humana e consequentemente do publico, que lidaria com muito mais dificuldade numa situação e condição semelhantes. Nessa nova representação do Superman, a construção da personalidade contida e racional do personagem é mostrada através de flashbacks, assim como o filme de Bryan Singer fez brevemente no filme de 2006, de modo a explicar para o publico como o humano Clark lidou com seus poderes como uma pessoa normal que várias vezes questiona seu pai no por que não usá-los para sua própria vontade, mas conforme ele cresce, parece inevitavel que Clark não aguenta mais fingir que não é melhor que todo mundo e não irá mais obedecer seu pai Jonathan, apenas uma fazendeiro de fim de mundo, no entanto uma única cena conseguiu ligar essa ruptura moral aparentemente inevitável de Clark entre ele e o que seu pai lhe dizia para fazer com o austero e resoluto Superman do restante do filme:



      Após uma discussão sobre Clark controlar seus poderes, ele renega Jonathan como seu verdadeiro pai, que até aquele momento parecia exageradamente rígido, mas ao estar prestes a morrer, Jonathan estende a mão em sinal para que Clark não se exponha às outras pessoas para salvá-lo, mostrando que todo seu discurso era pela proteção do  seu filho e por tudo que ele era capaz de fazer e não vergonha pelo o que ele era, fazendo com que Clark pense no segredo de suas capacidades como uma consideração àquilo que seu pai morreu para defender.


      Talvez a única coisa que tenha deixado a desejar no filme foi a escolha da atriz para representar Lois e a personalidade da personagem. Note que eu não falei da interpretação de Amy Adams, mas do papel dado a ela. Originalmente Lois é uma mulher de personalidade e constantemente se mete em apuros por ações equivocadas, no entanto o que vemos no filme é apenas uma mulher comum. Apesar de um pouco acelerado, a ligação entre Lois e Superman é justificada e a presença da personagem não compromete o filme, ao contrário da Jane Foster de Natalie Portman em Thor (2011).

      O refúgio polar de Superman na Fortaleza da Solidão onde ele consultava os conselhos gravados por seu pai Jor-El tornaram-se um elemento importante no desenvolvimento da psicologia do super-herói. Zack Snyder contextualizou essa ideia para a nossa época tirando Jor-El da tela de uma gravação para a personificação holográfica de um sistema de computador que se instala em qualquer aparelho ao qual se conecte por uma espécie de pen drive enviado junto com seu filho para a Terra. Assim Russell Crowe faz uma interpretação magnífica mesclando a ausência de reação de um construção artificial com os trejeitos do personagem que a construiu à sua imagem e é através dessas duas "encarnações" de Jor-El é que assistimos o desenvolvimento do antagonista principal: O genreal Zod.

      A personificação do vilão interpretada por Terence Stamp tornou-se icônica e a falta de superioridade na expressão e postura da versão de Michael Shannon não parecia que iria convencer, mas a partir do momento que entendemos que o Homem de Aço não tenta repetir a personalidade nem do Superman nem do Zod dos filmes clássicos, nos permitimos notar o quanto os novos trajes militares são muito mais legais que as roupas árabes de 1980 e que Faora cumpre muito melhor a proposta que a personagem inspirada nela, Ursa, apresentou em Superman I e II. Non, o outro kryptoniano seguidor de Zod nos filmes clássicos, também faz uma breve e não anunciada participação como o anônimo guerreiro brutamontes. Algumas pessoas sentiram falta de Lex Luthor no filme, mas os atentos talvez terão notado o nome do vilão num caminhão destruído durante a luta entre Superman e Zod.


    Terminado o filme, eu ouvi várias pessoas comentando o fato de Superman destruir Metrópolis inteira para derrotar Zod, mas isso é algo que eu sempre achei que deveria ter acontecido, afinal Clark ainda não domina totalmente seus poderes e no calor de uma luta ninguém presta muita atenção no que está fazendo, sendo assim faz todo sentido - além de mostrar do que as produções da DC também são capazes. O filme encerra com Clark se mudando para Metrópolis e justificando o por que trabalha de repórter, deixando um bom gancho para uma sequência.

      O filme do Homem de Aço não é apenas um filme sobre a origem do Superman, mas uma história sobre a mitologia do personagem que abrange outros mundos para uma futura ligação com o Lanterna Verde e outros futuros membros da Liga, no entanto eu duvido que a DC encabece essa nova franquia pensando em fazer um novo Vingadores, por que já ficou claro que as adaptações desses personagens não serão para o grande publico que compra copos com os personagens estampados, mas para aqueles que compram revistas amareladas.

Felipe Essy

quinta-feira, 18 de julho de 2013

O Superman no Cinema

        E aí, pessoal. O Homem de Aço está em cartaz, mas você sabia que esse já é o oitavo filme do Superman? Eu vi alguns deles, mas já faz tanto tempo que eu resolvi ver tudo de novo para falar um pouco sobre eles para quem já viu e não lembra ou quem nunca assistiu e quer conhecer melhor a mitologia do herói da capa vermelha.



SUPERMAN AND THE MOLE-MEN - 1951

        A primeira adaptação do Superman para as telas não contava com a intensidade das cores de seu uniforme, mas nem por isso ele ficou menos extravagante. Nesse filme de uma hora, Clark e Lois investigam estranhos acontecimentos ligados a um estação de extração de petróleo. Mais com cara de ficção científica do que uma história de super-heróis, os buracos de grande profundidade abrem passagem para estranhas criaturas chamadas de mole-men, ou "homens-toupeira", subirem à superfície, deixando uma pequena cidade em pânico. Logo as criaturas passam a ser caçadas por um grupo de moradores, mas Clark descobre o plano, evitando o conflito entre as criaturas e a cidade como o Superman.


       O filme não é tão tosco quanto parece a princípio. O fato de o Superman defender as criaturas ao invés de caçá-las como normalmente se faria com invasores é interessante por que o centro do filme não está na ação ou aventura, mas sim nos conflitos culturais. Na verdade o Superman pouco aparece e sua presença poderia facilmente ser descartada no filme, ofuscado por Clark e Lois que parecem muito mais detetives dos antigos filmes de suspense do que repórteres de um jornal.


SUPERMAN I - 1978

        O interessante sobre esse filme é que mesmo quem não gosta do Superman sempre o incluí na lista de melhores adaptações de quadrinhos para o cinema e não é raro ele ficar em primeiro, mas é inevitável se perguntar como um produção de 78 sobre um super-herói de cueca por cima das calças pode ser melhor que o X-Men de 2000 ou o Homem de Ferro de 2008? Eu não esperava muito do filme quando fui assistir, mas não foram necessários mais do que alguns minutos para eu perceber que eu não estava vendo apenas mais um enlatado americano, por mais incrível que pareça.


        O primeiro filme de Star Wars foi lançado lançado um ano antes, mudando a forma de fazer filmes, e assim como ele o Superman de 1978 apresentou um personagem de histórias em quadrinhos de uma forma tão rica que influenciou muitas produções posteriores de ficção científica no cinema. O filme de Richard Donner chama a atenção logo no início pelo prólogo sobre a destruição de Krypton. Ao invés de fazer apenas algumas cenas curtas para explicar a origem do super-herói, o diretor se preocupou em construir uma representação do planeta natal do Superman de modo que mostrasse toda o avanço tecnológico e filosófico de uma civilização sem estourar o orçamento. Como toda boa ideia, o resultado foi um cenário muito simples de elementos brancos e transparentes que mostrou muita coisa e explicou somente o suficiente para que a imaginação do espectador desenvolvesse o resto.

     O ritmo do filme também não segue a linha de um blockbuster: Normalmente produções voltadas para um publico mais jovem como essa tendem a ser mais dinâmicas em detrimento da exploração do enredo, o que não acontece em Superman. Apesar de não ser tão profundo assim, o filme não deixa de apresentar satisfatoriamente nenhuma cena ou personagem, dando a sensação que não foi feito só para arrecadar bilheteria, mas por alguém que realmente queria fazer um bom filme. Tanto é verdade que Richard Donner decidiu filmar o filme e uma sequência de uma vez só, tendo 85% de Superman II quando parou para finalizar a edição do primeiro filme, pois isso não é a toa que vemos o antagonista Zod de Superman II aparecendo no início do primeiro.


       Eu já estava satisfeito com a introdução de Krypton, mas a produção de 1978 continuou o que estava bom. Nos quadrinhos, pouca atenção se dá para o personagem central quando encarna Clark Kent, como se fosse apenas uma roupa que o Superman usa quando não está à trabalho, no entanto o filme sabiamente trabalhou muito mais o super-herói vivendo em sociedade do que voando por aí. A produção também não tentou mostrar o momento em que o Clark se torna o Superman, apenas revelar o que o levou a se tornar um protetor da humanidade enquanto ele vestia seu uniforme, afinal dizer que a mãe dele improvisou toda aquela fantasia em casa não cola (e olha que já tentaram isso nos quadrinhos).

      A direção de Richard Donner foi importante, mas esse é um dos poucos casos em que uma única atuação também foi igualmente essencial para consagrar um filme. Christopher Reeve interpretou o Superman nos quatro filmes da série original e é impossível cogitar qualquer substituto. A expressão simpática do ator quando interagia com os outros personagens parecia tão sincera que nos fazia acreditar que o Superman se preocupava com as pessoas pelo simples fato de gostar delas, e não por um puro altruísmo, tornando o personagem um pouco mais humano. Um outro fator que contribui muito para o sucesso do filme foi o humor bem dosado que permitia fazer muitas coisas que poderiam parecer forçadas demais numa situação real, como a cena em que Clark fala sem querer de tudo que há na bolsa de Lois, revelando seu poder de raio-X, e os dois ficam sem dizer nada por um momento numa situação que ficou perfeita como uma piada, mas jamais poderia ter acontecido de outra maneira. Talvez a única grande mancada desse filme seja a ridicularização do personagem de Lex Luthor, o principal inimigo do Superman.



       Lex Luthor originalmente foi concebido nos quadrinhos como um cientista genial que usava seu poder para causar grandes catástrofes ao seu benefício, despertando assim a interferência do Superman que logo se tornou seu objetivo de vingança, sendo posteriormente transformado num executivo corporativo sem limites, no entanto sempre mantendo a imagem da mente mais poderosa da humanidade e a única capaz de confrontar Superman. Nos filmes da série clássica, o personagem acabou virando um vilão atrapalhado de comédia pastelão, morando escondido abaixo da cidade de Metrópolis. É verdade que Gene Hackman deixou o personagem tão carismático quanto o próprio Superman, mas isso não muda o fato de o principal antagonista do super-herói ter sido totalmente desvirtuado as custas de piadas. Outra personagem marcante no filme é a repórter Lois Lane, o amor do Superman. A atuação de Margot Kidder é tão cativante quanto a de Reeves, e o diretor soube conduzir a construção da personagem de modo que tivesse personalidade o suficiente para se destacar, mas não demais que virasse um clichê da mulher independente. O momento em que Superman leva Lois para voar sobre Metrópolis é sem dúvida uma das melhores cenas românticas do cinema, que mostra o sentimento que cresce entre os dois sem que nenhuma palavra precise ser dita.

     A trilha de Superman composta por John Williams é tão marcante quanto o uniforme do personagem e o compositor dos temas imortais de Star Wars, Indiana Jones e Tubarão fez mais um de seus trabalhos que entraram para a história do cinema. A música de abertura do filme consegue fazer uma verdadeira representação musical do personagem, como afirma o canadense Mark Richards em seu blog Film Music Notes. O filme começa com uma introdução musical de metais parecendo anunciar a aproximação de um grande acontecimento, sendo acompanhado por mais instrumentos numa acentuação comumente usada para brindar o heroísmo que é seguida por uma marcha que "sobe" as notas como se algo se aproximasse, ascendesse no ar, culminando na explosão do refrão que virou um ícone da cultura pop e também lembra os outros temas famosos de Williams.


SUPERMAN II - 1980


      Quando o primeiro filme acaba, temos a sensação de que apenas o início da história foi contada, mas não é mera coincidência, pois é exatamente isso que o diretor pretendia. A primeira cena do filme anterior mostra o pai do Superman, Jor-El, condenando três kryptonianos que tentaram tomar o planeta ao exílo na chamada Zona Fantasma. O que inicialmente parece uma cena sem conexão com a história do filme se mostra o início da trama da sequência: O general Zod, junto com seus dois cúmplices são salvos da destruição de Krypton em seu exílio e acabam escapando da Zona Fantasma depois de uma explosão no espaço, mas assim como Superman tem seus poderes ampliados pelo Sol, Zod e seus parceiros também descobrem que podem governar o nosso planeta tão bem estabelecido no sistema solar.


       Apesar de fazer muito pouco que mostre explicitamente o tamanho de seu poder, a austeridade e superioridade de Zod interpretado por Terence Stamp é tão boa que você se convence de tudo que ele aparenta sem ouvir muito. O figurino dos kryptonianos completa a personalidade dos personagens com uma cor negra que parece sugar a luz ao redor, como o traje de Darth Vader. Igualmente ao primeiro filme, Superman II perde a chance de fazer grandes diálogos e reflexões dos personagens perante algumas situações, como quando Zod se entedia por ser o ser mais poderoso do mundo ou quando Superman tem que destruir as únicas criaturas que ainda existem semelhantes a ele, no entanto o filme não chega a cair na superficialidade gratuita. Lex Luthor reprisa seu papel dispensável de palhaço e Lois descobre a identidade de Clark, deixando novamente a vontade de assistir mais.


SUPERMAN III - 1983


       Logo na abertura você percebe que tem alguma coisa errada. Ao invés dos créditos passarem voando pela tela num fundo escuro antes do filme começar, a primeira cena é como uma mulher atraente desencadeia uma série de problemas. Não que eu goste tanto assim da abertura original, mas ficou algo meio desnecessária e essa sensação pode resumir o filme inteiro. Apesar da atuação de Richard Pryor como o atrapalhado desempregado Gus Gorman ser hilária, a presença de seu personagem é injustificada durante boa parte do filme, oque deixa o espectador se perguntando o que ele está fazendo ali. Pode se dizer o mesmo do vilão, Ross Webster, que é apenas um grande empresário que não representa nenhuma real ameaça ao Superman e isso é essencial para justificar qualquer filme do herói, mas nem tudo foi em vão.



      Sendo exposto a uma kryptonita alterada por Webster, o Superman torna-se malicioso e egoísta, mostrando finalmente um conflito interno sobre quem ele realmente é, mesmo que de uma forma meio superfial, na cena em que Superman e Clark Kant lutam para ver quem predominará. Talvez o maior mérito do filme e a única coisa que realmente o salva de ser esquecido é a presença da personagem Lana, amiga de infância de Clark em Smallville. O romantismo entre os dois personagens faz Clark considerar uma existência além do salvador da terra, terminando no fim do filme com Lois voltando de férias e se deparando com uma "concorrente", o que parece um pouco estranho, pois Clark e Lois parecem não estarem juntos ao contrário do que sugeria o final do filme anterior, oque é confirmado no quarto Superman da franquia.


SUPERGIRL - 1984



       Esse foi o único filme que eu não assisti por não ter achado uma versão com áudio original, mas dei uma boa olhada em alguns videos comentados e creio que eu posso falar um pouco para vocês sobre oque eu achei. Apesar do aparente carisma de Helen Slater como Supergirl, seu personagem aparentemente não tem ideia de seu papel no filme. Supergirl começa mostrando uma civilização extra-terrestre como Krypton, mas nada é explicado, devendo ser uma colonia de sobreviventes ou algo do tipo. A cidade é abastecida por uma fonte de energia, o Omegahedron, no entanto ele é perdido no espaço e cai nas mãos da humana Selena que tenta utilizá-lo para dominar a Terra. Em busca do Omegahedron, Supergirl vem para a Terra e assim como Superman ela ganha poderes ao se aproximar do Sol. Ela se faz passar por estudante, tornando-se colega da irmã de Lois, mas sua aparente tentativa de viver em sociedade não faz muito sentido já que ela deveria estar procurando desesperadamente o Omegahedron antes que seu povo enfrentasse mais problemas, ao invés de tentar se enturmar. No fim das contas, a maioria das pessoas acha que o filme desperdiçou uma série de oportunidades de apresentar e aprofundar uma série de personagens, mas vale assistir como uma visão do que poderia ter sido e não foi.


SUPERMAN IV - 1987



        O quarto e último filme da franquia original com Christopher Reeves finalmente deu um passo a frente na história do personagem. Enquanto o primeiro e o segundo desenvolvem o Superman ainda inexperiente e o terceiro apenas um desafio sem dificuldade para o herói, o quarto filme apresenta um oponente que realmente pode destruir o Superman: o Homem Nuclear. Lex Luthor consegue um fio de cabelo do Superman e com ele tenta criar um clone para destruir seu oponente, jogando uma "receita biológica" no sol junto com uma explosão nuclear. Assim nasce o Homem Nuclear, que apesar do nome realmente convence pela interpretação. Claro, tem a roupa extravagante sem explicação e tudo mais, mas o personagem é tão interessante que faz o filme valer a pena. Durante Superman IV também vemos uma história paralela da transformação do Planeta Diário em um jornal sensacionalista, mas o mais curioso em relação ao nucleo de reportagem da filme é que Lois não se lembra que Clark é o Superman, por causa de uma espécie de hipinose, o que eu considerei um retrocesso na trama, pois o segundo filme termina justamente com a revelação e o esperado desenrolar dessa história é simplesmente omitida no terceiro e descartada no quarto. Mesmo com todos os pesares, o filme conseguiu evolui em relação aos anteriores eu curti bastante.

SUPERMAN: O RETORNO - 2006

    Quando assisti a primeira vez esse filme, não achei ruim, mas não me agradou muito, principalmente o fato de o Superman ter um filho. Bem, isso já faz bastante tempo e eu não havia assistido todos os filmes originais, o que realmente faz muita falta para entender 50% do que aparece.


      A produção assinada por Bryan Singer, que inaugurou o novo movimento cinematográfico de adaptação de histórias em quadrinhos para o cinema com X-Men (2000), não poderia ter sido mais ideal para dirigir o retorno do Superman para as telas depois de quase vinte anos. Ao invés de dar continuidade a antiga história parou ou começar uma nova franquia, Bryan realizou o filme como uma sequência alternativa para o segundo filme que terminou com Lois descobrindo a identidade de Superman/Clark, no entanto ele foi feito de modo que mesmo quem não havia assistido aos filmes antigos entendesse a história, mas a apropriação que eu fiz vendo Superman - O Retorno depois de assistir a todos os outros é muito diferente - e muito melhor. O filme é cheio de referência a frases das antigas produções e imagens icônicas como a capa da primeira revista do Superman.

       Felizmente, Bryan Singer também devolveu a dignidade a um dos principais personagens da trama, Lex Luthor: O vilão é o primeiro a ser apresentado no filme, como um visionário obstinado e sem escrúpulos que alia sua sede de poder com a vingança pessoal contra o homem de aço. Jimmy Olsen continuou tão caricato quanto o original, no entanto já não se pode dizer o mesmo sobre o editor do Planeta Diário. Quem realmente superou as expectativas no filme foi o jovem Brandon Routh, no papel principal.


     Chritopher Reeves interpretou impecavelmente a versão infanto-juvenil do homem de aço, no entanto Brando Routh conseguiu representar um Superman que não somente reflete sobre seu papel no mundo, mas que também é afetado por ele. Nesse filme, vemos uma das poucas versões críveis do Superman, um personagem mais humano e que consegue justificar sua existência não como um puro altruísmo, mas por não conseguir recusar ajuda. A única ressalva que eu tenho sobre os interpretes de Lois e Clark é a idade deles: Eles são jovens demais para os papeis, tendo em vista tanto a idade dos atores da franquia original quanto da vivência dos personagens, mas no fim o roteiro foi tão bem construído que consegue homenagear quem conhece as obras e não subestima os menos informados. Destaque para a incrível fotografia do filme e a trilha de John Ottman, que pareceu ser a única que se destacou depois de John Williams, sabendo usar o tema original com moderação.


       Desculpem o atraso na publicação do post, pessoal, mas deu para ver que não foi fácil! Até o final dessa semana eu estarei publicando o post sobre o novo filme do Homem de Aço em cartaz. Aquele abraço!

Felipe Essy